No último dia 12, foi o casamento da minha irmã mais velha. Correria pura nos preparativos, família chegando de São Paulo, presentes que não acabam mais, horário no cabeleireiro e etc. Aquele corre-corre que vemos em filmes (sim, é igual!). Mas o que eu vim dizer aqui, foi sobre o que eu senti pelo meu PAI. Vendo algumas fotos do casamento, foi impossível não notar a grande quantidade de cabelos brancos que ele adquiriu com o tempo. É, meu pai está ficando velho. Se eu não me engano, 53 anos! E isso me faz lembrar que o tempo passa... para todos! Inclusive para mim.
Na noite do casamento, estava muito apreensiva. Não por ser a irmã da noiva, e sim por carregar a responsabilidade de entrar com o PAI dela. Minha tensão crescia conforme ia dando a hora de entrar na igreja. Só conseguia pensar no que se passava na cabeça dele naquele momento. Casar uma filha deve ser um orgulho tremendo. E eu, que sempre quis ser um orgulho tremendo para ele, carregava em meu coração toda a emoção de estar no lugar de minha irmã. O casamento foi lindo, emocionante e choramos durante vários momentos. Depois foi festa, curtição, bebedeira, risadas e etc, etc, etc.
Confesso que sempre fui a "menininha do papai" e sempre senti muito ciúmes dele. Quis ele SÓ PARA MIM em todos os momentos da minha vida. Principalmente quando ele se separarou da minha mãe. Não é a toa que fui morar com ele logo em seguida. Mesmo que as visitas fossem constantes, ele me fazia uma falta imensa. E ainda me faz.
Hoje, morando sozinha, sinto falta dele todos os dias. Desde a bronca por acordar tão tarde no sábado: "Acorda porque você não é coruja! Olha que dia lindo, vai aproveitar!", os omeletes no café da manhã de domingo, os elogios e críticas pelo tamanho dos vestidos que eu usava para sair... Enfim, sinto a falta dele a cada momento.
É pai... uma filha casada, a outra morando sozinha, outro com 19 anos tentando passar naquele mesmo concurso que mudou a sua vida há tantos anos. Me diz... o que se passa em sua cabeça? Nós demos orgulho para você? Fomos e somos tudo aquilo que um dia você sonhou? Está feliz com o rumo que a sua vida tomou? O que gostaria de mudar? O que faria de novo? Sabe.. todas essas perguntas (e muitas outras) passaram pela minha cabeça durante a celebração do casamento da minha irmã. E, talvez por isso, tenha sido tão emocionante. Eu estava vivendo o presente, lembrando o passado e pensando no futuro... É, consegui até escolher a música que dançarei com meu pai na festa do MEU casamento (daqui uns 8 anos, quem sabe..rs): "My Girl - The Temptations", conhece?
É, meu velho... Passou o tempo do balé, do inglês e de me buscar na balada de madrugada. Saí do banco de trás e passei para o volante de minha própria vida. Encerro meu texto, com uma canção francesa chamada "Ma Fille", de Isabelle Boulay... que diz:
"Minha filha, minha criança
Vejo chegar o tempo de me deixares
Para trocar de estação, para mudar de casa, para mudar de hábitos
Penso nisso toda noite, observando teu olhar
Tua infância que rompe as amarras
E me deixa o sabor de um acorde de violão
Viajaste tanto... quanto a mim, muitas vezes, parti
Das Ìndias à Inglaterra... a gente percorreu a Terra e nem sempre juntos
Mas, a cada regresso, nossas mãos se juntavam
Sobre as costas aveludadas do cachorro que nós amávamos
Era nossa maneira de ser bons amigos
Minha criança, minha pequena, boa viagem, boa viagem
Tomas o trem para a vida e teu coração vai mudar de país
Minha filha, tens vinte anos... espero o momento
Do primeiro encontro
Que acontecerá na tua ou na minha casa..."

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